Entrevista com @tarushijio sobre mídias sociais

Através do twitter conheci muita gente que contribui para as mídias sociais e que aprendo e troco informações bem legais. Através deste blog, tenho a oportunidade de compartilhar com vocês! !

@idegasperi – Apresente-se:

Tarcízio Silva, 22 anos. Formado em Comunicação pela UFBA, fui pesquisador do Observatório de Publicidade em Tecnologias Digitais (UFBA/Propeg) durante o último ano de graduação. Depois de alguns meses com experiência mais prática em uma agência de assessoria (Janela do Mundo) e uma agência de propaganda (Ideia 3) levei à frente, com 3 sócios, um projeto que surgira na faculdade, a PaperCliQComunicação e Estratégia Digital. Todos jovens como eu, buscamos aliar nossos conhecimentos de comunicação digital nessa iniciativa.

@idegasperi - As mídias sociais são realmente uma revolução. As regras para as eleições mudaram no Brasil, uma enorme quantidade de “especialistas em mídias sociais” surgiram, o twitter e o facebook vem crescendo cada vez mais… Qual sua percepção sobre a situação atual do Brasil com relação as mídias sociais ? E como vc vê um bom profissional em midias sociais ?

@tarushijio: O Brasil, devido aos seus já 65 milhões de usuários, tem produzido bastante coisa bacana. Tanto ações de comunicação online quanto reflexão sobre comunicação online. Mas também é fato de que tem muita bobagem por aí. Porém, os mais nocivos são grandes “sites de tecnologia”, comumente afiliados a portais, que publicam releases sem edição ou critério.

Do lado da prática da comunicação online por agências, há também muitas discrepâncias. É incrível como 9 entre 10 apresentações brasileiras falam do case Tecnisa. Na verdade, a Tecnisa não conseguiu tão bons resultados por uma genialidade absurda. O trabalho realmente foi muito bem feito, mas o grande diferencial foi apostar grande parte da verba de comunicação no online. O que falta, e muito, é que as agências utilizem métricas mais sólidas (que já existem, inclusive) e apresentem expectativas e resultados reais para também cobrar de uma maneira justa. A malandragem é a pior coisa que existe.

Acho que o bom profissional em mídias sociais tem de ser, primeiro, um heavy user. Não um heavy user apenas em quantidade de horas em contato com as tecnologias digitais. Tem que ser o cara que quer conhecer tudo, que entender os usuários, entender um pouco de programação, interface, SEO, SEM. Bons resultados em mídias sociais perpassam inúmeras práticas e ferramentas. O bom profissional em mídias sociais tem que ler muito. Mas isso não significa ler livros, necessariamente. Existem livros bons e existem livros ruins. Ficar longe de livros que tenham “guia”, “bíblia”, “tudo”, “definitivo” no título já é um bom passo. Também existem blogs bons e blogs ruins. Existem blogs bons de garotos de 17 anos e blogs ruins de profissionais de 57.

Não é o suporte que importa, mas sim o conteúdo. Analisar múltiplos conteúdos e não ser soterrado pelos conteúdos triviais é um desafio para esse profissional.

Uma coisa que tomamos como verdade absoluta na PaperCliQ é que temos de constantemente produzir e consumir conteúdo para nos aperfeiçoarmos. Todos nós estamos relacionados a grupos de pesquisa ou especializações universitárias, produzimos em blogs, nings, slideshare, youtube etc. E tudo livre.

Aprendemos e, como recompensa, a expertise traz capital social cognitivo e clientes.

@idegasperi - Ouvindo o podcast do @ninocarvalho no gengibre sobre agências digitais e agências tradicionais utilizando as mídias sociais pode-se perceber que poucas, muito poucas sabem realmente usar o twitter, por exemplo… Ele cita a @DM9DDB que só tuita sobre os prêmios que ganhou, Cannes, ele brinca que o enfoque deles é: olha aqui como a gente é fodão! Além do último tweet deles ser do começo do mês…

A pergunta é, porquê é tão difícil para essas agências darem mais importãncia no conteúdo? Compartilhar informação, retuitar conteúdo de outras empresas/pessoas … qual sua opnião ?

O facebook possui muitos aplicativos e jogos onde o foco é fazer com que o usuario socialize e dependa da ajuda de outras pessoas para avançar no jogo. Eu, particurlamente, não gosto e me irrito ficar recebendo varios emails com o convite para esses aplicativos. Mas reconheço a importância e possibilidade para as marcas utilizarem esses apps.

@tarushijio: Já ouvi blogueiros dizerem que pararam de postar cases de agências concorrentes da agência em que trabalha, por causa de pressões da direção. Parte das agências, principalmente as grandes e “tradicionais”, ainda tem um raciocínio arcaico que pode levá-las à estagnação.

Por outro lado, algumas agências atentaram para a importância de pesquisa e produção de conteúdo. Aqui na Bahia, a Propeg financia o Observatório de Publicidade em Tecnologias Digitais (onde desenvolvi meu interesse por mídias sociais), grupo de pesquisadores bolsistas que escrevem relatórios de tendências e prospecção, coordenados por um pesquisador doutor. Ótima iniciativa, aparentemente tem desdobrado resultados na agência. Porém, 90% da produção permanece restrita.  Será esse realmente o melhor caminho?

Algumas agências digitais de maior peso, como a Bullet, Talk e Cubo.CC publicam materiais gratuitos online. Esta última foi uma das responsáveis pela publicação do livro da @raquelrecuero. Aqui na Bahia algumas agências digitais passaram a produzir e divulgar conteúdo e expertise, através de eventos, cursos, blogs, apresentações. Há iniciativas boas, mas também há as agências que cometem plágio, intencionalmente.

Sobre os aplicativos e jogos sociais no Facebook e Orkut, alguns de fato podem ser irritantes, mas ainda assim acho que é uma mudança enorme. Se, para assistir um programa televisivo sem comerciais, tenho de utilizar outros aparelhos (como TiVo ou baixar pela internet), os sites de redes sociais permitem que eu configure-os de um jeito que determinados conteúdos não apareçam para mim. No caso dos aplicativos sociais, posso bloquear no Wall de Notícias do Facebook determinados aplicativos. O prosumer, pra continuarmos com os neologismos, está no controle.

Confira a apresentação sobre aplicativos sociais.

@idegasperi – Vc acredita que no futuro, marcas poderão anunciar e participar desses aplicativos ? Ou quem sabe uma marca criar seu próprio aplicativo e inserir em redes sociais ?? Será esse o futuro para as marcas sobreviverem nas midias sociais ?

@tarushijio: Particularmente, acho os aplicativos sociais fascinantes. Se a publicidade contextual através de links patrocinados ou banners já foi um avanço enorme para exibir apenas o que o usuário pode estar interessado, aplicativos sociais são um tipo de produto que os usuários só interagem de fato se estiverem interessados. Os aplicativos de maior sucesso, tanto no FaceBook quanto no Orkut não são produzidos por encomenda, mas possuem outros modelos de negócios. Por exemplo, venda de funcionalidades novas ou exibição de banners de diversos anunciantes.

Existem algumas iniciativas de utilização dos aplicativos sociais específicos de marca. É o caso do famoso aplicativo Whooper Sacrifice da Burger King, para o FaceBook, ou dos aplicativos dos novos filmes da Disney e o Ramarim 2.0. Quando os aplicativos de fato se adaptam à dinâmica dos sites de redes sociais e oferecem algo (seja lúdico, seja físico) aos usuários, podem conseguir sucesso e ser divulgado espontaneamente pelos usuários através da interface da rede.  Por fim, não custa lembrar: é apenas um ponto no mix de comunicação em mídias sociais.

@idegasperi - Muito se fala nas regras impostas pelos veiculos tradicionais de mídia com relação as redes sociais ( Folha SP, Globo ) não vou te perguntar sobre o clichê de novas mídias matando mídias tradicionais. Mas como você vê, daqui pra frente, a posição das mídias com relação ao conteúdo colaborativo ?

@tarushijio: Elas vão, de fato, se transformar. As que não conseguirem se transformar estão fadadas ao fracasso. A Globo tem apresentado bons produtos online (como os aplicativos produzidos pela equipe A3 para os jornais online) e outros ruins, como o produzido para a novela Caras e Bocas. No que se refere à liberdade de expressão em mídias sociais houve um levante que gerou uma mídia espontânea negativa enorme quando vazou o documento regulamentando o uso de mídias sociais por seus funcionários. Inclusive, alguns atores globais twittaram contra essas medidas.

Hoje, cada usuário de internet pode ser um vigilante das práticas dos grandes veículos de comunicação. A colaboração existe para criação, distribuição, cópia e “pirataria” e também para protestos. A Globo não deve morrer, mas que vai se transformar muito, isso vai.

@idegasperi - Fica a vontade para falar alguma coisa que vc acha importante que não foi perguntado. Seu blog com certeza será citado, mas se quiser fazer algum jabá, divulgar algum trabalho… fica a vontade!

@tarushijio: Além do meu blog (www.tarciziosilva.com.br/blog), gostaria de divulgar o slideshare da PaperCliQ. Temos produzido alguns slides básicos sobre comunicação digital, que vem sendo bem recebidos, como a tradução do Twitter 101. A última produção nossa foi uma pesquisa entre estudantes de comunicação da UFBA para descobrir como estes futuros profissionais se relacionam com os novos meios de comunicação: www.slideshare.net/papercliq

@idegasperi - Pra finalizar queria que vc desse sua opinião sobre meu blog midias sociais, alguma sugestão para melhorar… Um ponto positivo que vc tenha notado. E é isso cara… responde do jeito que vc quiser, se quiser postar links para ilustrar alguma coisa melhor, fica bem a vontade!!!

Muito obrigado !!

@tarushijio: Dica técnica: usa feedbuner! Esteja precavido para mudanças de domínio

Dica de conteúdo:  faça resenha de livros. Por experiência própria, sei que ajuda muito. Os 10 posts mais visitados do IPF são sobre livros.

Não sei mais hehe. O Midias Sociais ta muito bom =)

Muito obrigado @tarushijio !

17 Responses to “Entrevista com @tarushijio sobre mídias sociais”

  1. Sou muito cético quanto a participação de marcas tradicionais em mídias sociais.

    Acredito muito mais na emergência de novas marcas, com o dna da Produção Social (ex: threadless) que se comportam como plataforma para produção e distribuição.

    O posicionamento vertical das grandes marcas simplesmente não se encaixa no formato horizontal das mídias sociais. Para um modelo de comunicação social, é preciso um modelo de negócios social.

    A Produção Social é um caminho sem volta, e, na minha opinião, sobreviverão as marcas que oferecem o meio e não o produto final. (ex: Google).

  2. Ola, parabens pelo seu blog..esta com materias bem interessantes..ja vou add em meus favoritos.
    Quando puder passa la no meu..fala sobre Midias Sociais..Acho q vc vai gostar.
    Um abraço

  3. Gostei muito da resposta da primeira pergunta, onde ele diz que o profissional de midias sociais tem que saber um pouco de tudo. Outra coisa que gostaria de mencionar é que as empresas já estabelecidas e nomeadas no mercado se não aderirem a midias sociais, serão atropeladas por empresas novas com uma visão renovada e adepta as midias sociais. tem um ditado que diz. “Quem não visto, não é lembrado”
    Gostei mto desse blog, montei um espaço sobre midias sociais para o pessoal debater sobre estudo de casos de midias sociais. abraços até mais.

  4. O debate em torno da comunicção nas mídias sociais tem um diferencial relevante: o aprender fazendo. Neste ponto, as agênciais tradicionais são mais pesadas e por isso mais lentas; são também da era de emissão via veículos e precisam aprender a trabalhar na era em que qualquer pessoa conectada à internet é um emissor. Mas existe um dado que também é preciso levar em conta: as agências tem o expertise do planejamento e da visão total da comunicação do cliente. Por isso, podem, se estiverem dispostas a sair da lógica do emissor-receptor para o emissor-emissor, trabalhar a imagem do seu cliente nas midias sociais dentro de um histórico que conhecem, sem parecer uma coisa falsa. Mesmo nas mídias sociais, ainda há o mesmo princípio: eu me interesso por aquilo que me traz algum benefício, seja emocional congnitivo, prático, etc. É diferencial que hoje o cliente/internauta pode dizer claramente o que quer e o que não quer das marcas. Mas isso, é um assunto que não cabe apenas em um comentário. Parabéns ao Mídias Sociais por tratar das mudanças na comunicação com seriedade. Abraços.

Leave a Reply

Additional comments powered by BackType

ZXP6PNRYYFBR